15/05 – …quem me recebe, recebe aquele que me enviou.

15/05 – …quem me recebe, recebe aquele que me enviou.

Quinta-feira, 15 de maio de 2025.

 

Evangelho (Jo 13,16-20)

 

“…quem me recebe, recebe aquele que me enviou”

 

Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus lhes disse: 16“Em verdade, em verdade vos digo: o servo não está acima do seu senhor e o mensageiro não é maior que aquele que o enviou. 17Se sabeis isto, e o puserdes em prática, sereis felizes. 18Eu não falo de vós todos. Eu conheço aqueles que escolhi, mas é preciso que se realize o que está na Escritura: ‘Aquele que come o meu pão levantou contra mim o calcanhar’. 19Desde agora vos digo isto, antes de acontecer, a fim de que, quando acontecer, creiais que eu sou. 20Em verdade, em verdade vos digo, quem recebe aquele que eu enviar, recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou”.

 

Reflexão

 

Para o homem moderno falar de “servo” ou de “servir” pode ressoar um pouco mal. O mundo do trabalho mudou muito desde os tempos do evangelho, hoje existem leis e contratos que regulam as relações entre o trabalhador e o patrão. Cada trabalhador oferece a sua prestação profissional, não existem servos e nem tão pouco patrões. Depois da grande Revolução, os russos reprovaram a Igreja por não ter mudado o próprio vocabulário: este insistir sobre “serviço” não ajudava a mudar a mentalidade das pessoas. Pensando assim, agora muitos termos bíblicos foram superados. Por exemplo, porque dizer “o Senhor é o meu pastor”, quando hoje os pastores existem de menos? Por que falar de reino de Deus, se os reis e rainhas se podem contar nos dedos das mãos? As expressões verbais que dizem respeito a Deus são metáforas, e nasceram num ambiente no qual o texto foi escrito. O termo “servo” exprime e exprimia também agora a nossa total dependência de Deus. É uma questão que de fato não pode ser negada. O importante é compreender o que significa concretamente esta dependência. Em que sentido o patrão é maior do que o servo? No tempo de Jesus, “patrão” era aquele que não precisava trabalhar e deixava todo o serviço pesado aos “servos”. Cristo, mesmo sendo neste sentido o “patrão”, tomou sobre si um enorme trabalho, e eis assim que o seu pagamento foi o mais alto: subiu à glória do Pai. Torna partícipe da sua glória aqueles que o ajudam no seu trabalho, e este é o prêmio na eternidade. Sobre a terra, ao contrário, ele foi incompreendido, perseguido e condenado à morte. Mas agora, se aqueles que estão com ele terão o meu prêmio, na terra serão pagos com a mesma moeda? É isto que Jesus quer sublinhar com a comparação do servo e do patrão: ambos têm a mesma sorte. Os servos que entendem e não o abandonam por isto; antes, daquele momento procuram imitar sempre mais o patrão. As pessoas amam frequentar os adivinhos para saber o que esperar do futuro. Olhemos a vida de Jesus e saberemos o que está reservado para nós. O importante é o serviço divino que se realiza. O termo “serviço divino” é frequente no período barroco e o mesmo Santo Inácio de Loyola o usa muito. No seu tempo um jovem, para encontrar trabalho, saia da sua terra e ia para longe; quanto mais importante era o senhor que o tomava para seu serviço e maior era a carreira que o esperava. Não a caso era muito popular naquele período a lenda de São Cristóvão, o homem que fazia atravessar o rio quem tinha necessidade, e deste modo merecia carregar Cristo, daí o nome “Christhóphoros”, portador de Cristo. A lenda conta que um belo dia um menino pede ao barqueiro de o transportar: o seu peso é leve, no entanto num instante se faz pesadíssimo, tanto que Cristóvão está para desistir. Mas naquele momento Cristo se faz reconhecer e o batiza: e Cristóvão passa do serviço aos homens ao serviço de Deus, tornando-se santo. Cristóvão faz da sua um “serviço divino”: as lendas usam histórias simples para dizer a verdade. E por isso são amadas e recordadas sempre.

Pe. Paulo Eduardo Jácomo, SDB. 

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