15/06 – Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo.

15/06 – Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo.

Domingo, 15 de junho de 2025.

 

Evangelho (Jo 16,12-15)

 

“Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo”

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16“Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo”. 17Alguns dos seus discípulos disseram então entre si: “O que significa o que ele nos está dizendo: ‘Pouco tempo, e não me vereis, e outra vez pouco tempo, e me vereis de novo’, e: ‘Eu vou para junto do Pai?’”. 18Diziam, pois: “O que significa este pouco tempo? Não entendemos o que ele quer dizer”. 19Jesus compreendeu que eles queriam interrogá-lo; então disse-lhes: ‘Estais discutindo entre vós porque eu disse: ‘Pouco tempo e já não me vereis, e outra vez pouco tempo e me vereis?’ 20Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”.

 

Reflexão

 

Mas a pergunta que podemos fazer é: existe uma diferença no tempo? Ou seja, um tempo breve e um tempo longo? Nós costumamos medir o tempo com base ao relógio, mas também o nosso estado de ânimo é um “relógio” para medir o tempo. Existe um tempo cronológico e um tempo psicológico; de fato, como passa rápido o tempo quando nós nos divertimos e como ao contrário, é longa a noite para um doente que sofre. Da Última Ceia até a primeira aparição de Cristo Ressuscitado passaram-se somente três dias. Cronologicamente é um tempo breve, mas aos discípulos mergulhados na tristeza, provavelmente pareceu longuíssimo. Na vida espiritual se fala da desolação. São períodos ou momentos nos quais nos parece que Cristo nos tenha abandonado, deixando-nos psicologicamente sozinhos. Agora a oração nos parece inútil, não nos agrada a liturgia, a leitura espiritual enfadonha, toda a vida espiritual parece uma ilusão. Como devemos nos comportar? Ter coragem e crer firmemente que estas provações durem por breve tempo. Todos, também os grandes santos fizeram esta experiência. Após a Quaresma os dias da semana pascal são momentos de grandes a alegres encontros com o Ressuscitado. Também na vida espiritual tem um ritmo semelhante, e depois da desolação vem a consolação. A um certo ponto tudo parece fácil, a oração dá gosto, o exercício da caridade nos enche de alegria. Podemos confiar neste estado de ânimo? Os autores espirituais aconselham a não tomar decisões importantes nestes momentos, porque se trata de um entusiasmo passageiro. Mas devemos ser gratos a Deus pelo conforto que nos dá. É como um descanso durante um passeio pela montanha: repousamos, matamos a sede, mas sem esquecermos que o caminho ainda é longo, e a subida será de novo cansativa. Este é o ritmo da vida, e aceitando-o se pode provar uma alegria na consolação e na desolação. A subida da montanha é também símbolo de uma outra experiência da vida. Do vale ao pé da montanha a estrada normalmente não é íngreme, mas parece longa. Depois se torna íngreme e cansativa, e não obstante a última etapa seja muito difícil, o escalador acelera o passo e não quer mais parar. A visão do cume o estimular a continuar. Também na vida terrena as últimas etapas são as mais difíceis. A idade faz surgir as doenças, o trabalho desilude, mas se começa a ver o cume: vamos em direção ao Pai. O rosto envelhecido das pessoas devotas tem um fascínio especial, e os pintores os representam com prazer sobre as telas. Nas suas expressões existe um misto de sofrimento e consolação por aproximar-se do fim da vida: o tempo que permanece é breve, mas a eternidade é próxima.

Pe. Paulo Eduardo Jácomo, SDB.

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