11/09- Pai, pequei contra Deus e contra ti.

11/09- Pai, pequei contra Deus e contra ti.

Domingo, 11 de setembro de 2022. XXIV Domingo TC C

Evangelho ( Lc 15, 1-3.11-32)

“Pai, pequei contra Deus e contra ti”

Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. 3Então Jesus contou-lhes esta parábola: 4“Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, 6e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ 7Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. 8E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? 9Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!’ 10Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”. 11E Jesus continuou: “Um homem tinha dois filhos. 12O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. 13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. 15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. 17Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. 18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. 20Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos. 21O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. 22Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. 25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. 27O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’. 28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’. 31Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”’.

 

 

Reflexão

O que não permite aos fariseus compreender Jesus é justamente a maneira desconcertante que Ele possui de ir ao encontro de quem está marginalizado. E tudo isso é chocante porque todos nós estamos intimamente convencidos que o amor precisa ser merecido. Sem merecimento somos excluídos do amor. Mas é justamente esta maneira de ver o amor que nos impede de compreender o Deus que Jesus veio nos anunciar. Jesus parece dizer com toda a sua vida exatamente o contrário: o amor de Deus é incondicional, é gratuito, e é justamente por isso que nos salva. Eis porque a parábola do filho pródigo é a explicação mais clara da lógica de Deus. Antigamente a imagem do filho pródigo ficava fixada junto ao confessionário. Para alguns parece uma imagem carregada de sentimentalismo. É certo que quem a vê dessa forma não poderá jamais se comover. Mas Jesus não contou esta parábola para mostrar o realismo da vida familiar. Ele trabalha o problema fundamental do cristianismo: a existência do mal e a sua solução. Que reação poderemos ter em relação a tudo o que todos os dias nos perturba em nossa vida? A vida quase que automaticamente procura corrigir os erros que cometemos na vida. Em uma máquina a reparação pode até parecer fácil. Mas o homem é um ser um pouco mais complicado. Os seus erros e pecados são de muitas espécies. O homem às vezes se conscientiza de que o pecado é um prejuízo para si mesmo e procura se corrigir, pois sabe que corrigindo-se resgata seu lugar no trabalho, na família e na sociedade. Quem caiu deve haver força para se levantar. Neste sentido podemos ouvir aquela exaltação pedagógica que nos diz: ‘Coragem! Tudo pode ser remediado. O caminho da salvação está nas tuas mãos’. Ver o erro e o mal com estes olhos é útil, mas ainda é parcial. Somos de fato capazes de corrigir todo mal que fizemos e nós mesmos e aos outros? Podemos duvidar. O mal, o pecado não são somente um prejuízo para nós mesmos. Uma transgressão da moral pode abalar toda a ordem: a harmonia do universo, a paz universal, o cosmos. Determinadas ações podem causar uma catástrofe. Todo o universo reage da mesma forma tentando eliminar todo elemento estranho penetrando na sua constituição interna. Esta natural reação do mundo contra o mal se manifesta como uma necessidade de vingança, de punição. Todo pecado se volta contra o seu autor nos momentos nos quais não espera. Pensar assim é como entrar numa tragédia grega. Mas a parábola do filho pródigo. Precisamos ver o pecado não somente como uma ofensa a ordem do universo, mas também como uma ofensa a Deus. No ato de contrição nós rezamos: “Me arrependo dos meus pecados porque ofendi a vós, infinitamente bom e digno de ser amado”. A Lei não pode perdoar, mas a pessoa sim. O Deus revelado pelo evangelho é Pai. E o pecador? Se é capaz de reconhecer que Deus é verdadeiramente Pai e deseja retornar a ele, neste caso é verdadeiramente arrependido e pode receber a graça de Deus, que é o único a saber coordenar o ato de clemência com a exigência de justiça geral.

 

Pe. Paulo Eduardo Jácomo, SDB.

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